26.1) Introdução: Encontrados nos postes e entradas de força em alta tensão (industriais), são de alta potência e projetados para ter alta eficiência (da ordem de 99%), de modo a minimizar o desperdício de enegia e o calor gerado. Possuem refrigeração a óleo, que circula pelo núcleo dentro de uma carapaça metálica com grande área de contato com o ar exterior. Seu núcleo também é com chapas de aço-silício, e pode ser monofásico ou trifásico (três pares de enrolamentos). A distribuição da energia elétrica para os consumidores é feita pela rede secundária (por exemplo: 220 V e/ou 127 V) e a redução de tensão da rede primária para a tensão da rede secundária é feita pelo transformador trifásico (de distribuição). 26.2) Circuito Elétrico Equivalente de um Transformador Real: Um transformador real pode ser equivalentado eletricamente e representado como mostra a Figura 01:
Figura 01 - Circuito Elétrico Equivalente de um Transformador Real.
Onde: RT - Resistência equivalente dos enrolamentos 1 e 2; XT - Reatância de dispersão equivalente dos enrolamentos 1 e 2; Ra - Resistência de perdas no ferro do núcleo; Xm - Reatância de magnetização; Vi - Tensões terminais do transformador (i = 1, 2); Ei - Tensões induzidas nos enrolamentos (i = 1, 2); Ii - Correntes terminais do transformador (i = 1, 2); Ni - Número de espiras nos enrolamentos (i = 1, 2); N - Relação de transformação do trafo. 26.3) Perdas: As perdas no transformador se dividem em: 26.3.1) Perdas no Ferro (Núcleo): são permanentes e compostas pela soma das energias despendidas com as perdas das correntes de Foucault (também chamadas de Eddy currents) que circulam no material e da energia despendida para orientar os domínios magnéticos do material na direção do campo em cada ciclo de histerese. Essas perdas são dissipadas na forma de calor e variam com a permeabilidade do material, a freqüência e a forma como o núcleo é composto. Em geral, as perdas no núcleo aumentam em transformadores que trabalham com tensões mais elevadas, em transformadores de maior potência e são maiores em transformadores trifásicos que em monofásicos de mesma potência e concepção. 26.3.2) Perdas no Cobre (Enrolamentos): são dependentes do carregamento e decorrentes das potências transformadas em calor nos condutores empregados. Essas perdas variam com a resistividade, a seção e o comprimento total dos condutores. Em geral, as perdas totais nos enrolamentos a plena carga aumentam em transformadores que trabalham com tensões mais elevadas, em transformadores de maior potência e são maiores em transformadores trifásicos que em monofásicos de mesma potência e concepção. 26.4) Circuito Elétrico Equivalente de um Transformador Ideal: Analogamente ao item 26.2, um transformador ideal pode ser equivalentado eletricamente e representado conforme Figura 02:
Figura 02 - Circuito Elétrico Equivalente de um Transformador Ideal.
Onde: (a) - No domínio do tempo; (b) - Em regime permanente senoidal. Em ambos os casos, as bobinas e o núcleo devem apresentar as seguintes propriedades: • Resistência elétrica dos enrolamentos nula; • Acoplamento magnético entre bobinas perfeito (k=1); • Material constituinte do núcleo sem histerese; • Perdas no núcleo nulas (por efeito das correntes de Foucault). 26.5) Simbologia Geral: Os transformadores comerciais são oferecidos em diferentes formas e tamanhos. Os símbolos dos três tipos básicos de transformador são mostrados na Figura 03:
Figura 03 - Simbologia de Transformadores.
Onde: (a) - Núcleo de Ar; (b) - Núcleo de Ferro; (c) - Núcleo Variável. 26.6) Polaridade: 26.6.1) Polaridade dos Terminais: Esta é a designação dos sentidos relativos instantâneos das correntes nos terminais de linha de um transformador. 26.6.2) Polaridade Aditiva (Subtrativa): É a polaridade dos terminais de um transformador monofásico tal que, ligando-se um terminal primário ao terminal secundário não correspondente (correspondente), e aplicando-se tensão a um dos enrolamentos, a tensão medida entre os dois terminais não ligados é maior (menor) do que a tensão aplicada. 26.7) Ligações em Transformadores: No sistema elétrico de potência os transformadores, por motivos óbvios, devem ser ligados para operar no sistema trifásico. Há duas maneiras de se obter a ligação trifásica: • Transformador trifásico, construído para esta finalidade; • Banco tifásico de transformadores (três transformadores monofásicos convenientemente ligados para permitir a transformação trifásica). As ligações dos enrolamentos do primário e do secundário de um transformador trifásico ou banco trifásico podem ser em estrela ou em delta (triângulo). Assim, na prática podemos ter quatro tipos de ligações: • Delta / Estrela (D/y); • Estrela / Delta (Y/d); • Delta / Delta (D/d); • Estrela / Estrela (Y/y). As ligações trifásicas e as respectivas grandezas nos lados primário e secundário são mostradas nas Figuras 04 a 07, a seguir.
Figura 04 - Ligação Delta / Estrela (D/y).
Figura 05 - Ligação Estrela / Delta (Y/d).
Figura 06 - Ligação Delta / Delta (D/d).
Figura 07 - Ligação Estrela / Estrela (Y/y). 26.8) Cálculos (Princípios Básicos): 26.8.1) Potência do(s) Secundário(s): A potência do secundário (Psec) é dada pelo valor numérico resultante do produto da tensão do secundário (Vsec) pela corrente do mesmo (Isec). Se existir mais de um secundário, devemos somar suas potências. Assim: Psec = Vsec * Isec Onde: Psec = Potência do Secundário [W]; Vsec = Tensão do Secundário [V]; Isec = Corrente do Secundário [A]. 26.8.2) Potência do Primário: Sabendo-se a potência do secundário, pode-se calcular a potência do primário. Quando este transfere energia (através do núcleo, por efeito do campo magnético) para o secundário, há perda energética em torno de 20%. Portanto, a potência do primário deverá ser 20% maior que a do secundário. Pprim = 1,2 * Psec Onde: Pprim = Potência do Primário [W]; Psec = Potência do Secundário [W]. A energia do primário representa a energia consumida pelo secundário sob a forma de alimentação de carga e uma parte sob perda, em forma de calor que o núcleo consome. Este dever ter massa suficiente para transportar esta energia para o secundário. 26.8.3) Área do Núcleo: Para um núcleo pré-determinado, a área da seção retangular do mesmo é dada por: A = a * b Onde: a e b = Medidas dos Lados do Núcleo [m]. 26.8.4) Número de Espiras da Bobina do Primário: Para cálcular do número de espiras do primário, vem: N1 = Vprim / (ƒ * A * 4,4 * B * 0,00000001) Onde: N1 = Número de Espiras do Primário; Vprim = Tensão do Primário [V]; ƒ = Freqüência da Rede Elétrica; A = Seção do Núcleo [m2]; B = Densidade de Fluxo Magnético [T]. O cálculo da densidade de Fluxo Magnético é dado por: B = µ * H Onde: µ = Permeabilidade Magnética do Material [Wb/A*m]; H = Força Magnetizante [A/m]. 26.8.5) Número de Espiras da Bobina do Secundário: Analogamente ao cálculo anterior, o número de espiras da bobina do secundário é dado por: N2 = Vsec / (ƒ * A * 4,4 * B * 0,00000001) N2 = Número de Espiras do Secundário; Vsec = Tensão do Secundário [V]; ƒ = Freqüência da Rede Elétrica; A = Seção do Núcleo [m2]; B = Densidade de Fluxo Magnético [T]. 26.8.6) Densidade Máxima de Corrente: q = Densidade Máxima de Corrente [A/mm2]. Vide tabela de fios AWG e densidade máxima de corrente na Tabela 01.
Tabela 01 - Fios AWG e Densidade Máxima de Corrente.
26.8.7) Seção do Fio da Bobina do Secundário: Determinada a seção do fio do secundário, é possível calcular a bitola AWG do fio esmaltado para o enrolamento da bobina. No caso de existir mais de uma bobina e com correntes diferentes, serão utilizados fios de bitolas também diferentes. Logo, cada bitola será calculada em separado. Sfsec = Isec / q Sfsec = Seção do Fio Secundário [mm2]; Isec = Corrente do Secundário [A]; q = Densidade Máxima de Corrente [A/mm2]. 26.8.8) Corrente do Enrolamento Primário: A corrente do enrolamento primário é ser calculada como segue: Iprim = Psec / Vprim Onde: Iprim = Corrente do Primário [A]; Psec = Potência do Secundário [W]; Vprim = Tensão do Primário [V]. 26.8.9) Seção do Fio da Bobina do Primário: Agora pode-se calcular a bitola da bobina do primário. Sfprim = Iprim / q Onde: Sfprim = Seção do Fio da Bobina do Primário [mm2]; Iprim = Corrente do Primário [A]; q = Densidade Máxima de Corrente [A/mm2]. Exemplo: Seja um transformador com primário 127 V/220 V e 2 saídas em seu secundário, uma de 12 V com corrente de 2 A e a outra com 6,3 V com corrente de 1 A. A área da seção retangular do núcleo é 4,418 m2 e a densidade de fluxo magnético é 10.000 T. Considere a freqüência da rede elétrica igual a 60 Hz. Solução: Os dados do problema são: Vprim = 127 V/220 V Vsec1 = 12 [V] Isec1 = 2 [A] Vsec2 = 6,3 [V] Isec2 = 1 [A] Sec = 4,418 [m2] B = 10.000 [T] f = 60 [Hz] a) Inicialmente calcula-se a potência total do(s) secundário(s). Neste caso, há dois secundários. Psec = Vsec * Isec Psec1 = Vsec1 * Isec1 Psec1 = 12 * 2 Psec1 = 24 [W] Psec2 = Vsec2 * Isec2 Psec2 = 6,3 * 1 Psec2 = 6,3 [W] Psec = Psec1 + Psec2 Psec = 24 + 6,3 Psec = 30,3 [W] b) Cálculo da potência do primário: Pprim = 1,2 * Psec Pprim = 1,2 * 30,3 Pprim = 36.36 [W] c)
Cálculo do número
de espiras do primário: N1 = Vprim / (ƒ * A * 4,4 * B * 0,00000001) N1 = 220 / (60 * 4,418 * 4.4 * 10.000 * 0.00000001) N1 = 1886 espiras O número total de espiras da bobina do primário é igual a 1886, mas como o transformador possui duas tensões de entradas (127 V e 220 V), este número será divido por dois, ou seja, 943 espiras para cada bobina. d) Cálculo do número de espiras do secundário para a bobina de 12 V; 2 A: N2 = Vsec / (ƒ * A * 4,4 * B * 0,00000001) N2 = 12 / (60 * 4,418 * 4.4 * 10.000 * 0.00000001) N2 = 103 espiras (bobina 1) e) Cálculo do número de espiras do secundário para a bobina de 6,3 V; 1 A: N2 = Vsec / (ƒ * A * 4,4 * B * 0,00000001) N2 = 6,3 / (60 * 4,418 * 4.4 * 10.000 * 0.00000001) N2 = 54 espiras (bobina 2) f) Cálculo da bitola do fio na bobina do secundário: Como q = 4 [A/mm2], como pode ser observado na Tabela 01, tem-se: - P/ i =2 [A]: Sfsec1 = Isec1 / q Isec1 Sfsec = 2 / 4 Sfsec = 0,5 [mm2] (fio AWG Ø 20 segundo a tabela da Figura 04) - P/ i = 1[A]: Sfsec2 = Isec2 / q Isec2 Sfsec2 = 1 / 4 Sfsec2 = 0,25 [mm2] (fio AWG Ø 23 segundo a tabela da Figura 04) g) Cálculo da corrente que percorrerá a bobina do primário: Iprim = Psec / Vprim Iprim = 30,3/220 Iprim = 0,14 [A] h) Cálculo da bitola do fio na bobina do primário: Sfprim = Iprim / q Iprim Sfprim = 0,14 / 4 Sfprim = 0,035 [mm2] (fio AWG Ø 32 segundo a tabela da Figura 04) Na Tabela 02 segue resumo do exemplo acima.
Tabela 02 - Tabela do Exemplo.
26.9) Aspectos do Equipamento: O equipamento, instalado numa rede elétrica de distribuição, é mostrado na Figura 08.
Figura 08 - Subestação Transformadora em Poste.
São apresentadas, na Figura 09, as partes constituintes de um transformador de distribuição:
Figura 09 - Desenho Técnico de um Transformador de Distribuição.
Cada parte corresponde a um número, ou seja:
A Figura 10 apresenta um transformador do fabricante Marangoni a ser ensaiado num laboratório de eletricidade. Os dados de placa deste equipamento podem ser visualizados na seqüencia (Figura 11).
Figura 10 - Ensaio de um Transformador de Distribuição - "Marangoni".
Figura 11 - Dados de Placa do Transformador de Distribuição - "Marangoni". 26.10) Procedimentos de Manutenção: O tratamento do óleo de um transformador torna-se necessário quando o poder dielétrico ou o índice de acidez do óleo em serviço atingir o valor limite especificado pelo fabricante. Um tratamento realizado periodicamente sem esperar o limite crítico apresenta a vantagem de suprimir: • a presença de lama dentro do aparelho, facilitando as trocas térmicas com conseqüente diminuição da temperatura do transformador; • a presença de produtos que contribuem para a oxidação do óleo e, portanto para sua degradação. Com esse tratamento, realizado no período adeqüado, serão conseguidas economias de energia elétrica e de reposição do óleo. No campo da manutenção, os transformadores que contém óleo isolante merecem especial atenção. Alguns controles de óleo devem ser efetuados antes da colocação sob carga e durante o funcionamento. A Tabela 03 ilustra a periodicidade de outros testes antes da colocação do transformador sob carga.
Tabela 03 - Manutenção em Transformadores.
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